Método Suzuki PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Dom, 12 de Dezembro de 2010 20:37

METODOLOGIA MUSICAL I

APRENDENDO COM SUZUKI: SETE QUESTÕES RESPONDIDAS_ por Alfredo Garson

O Método Suzuki nos U.S.A e Canadá tem se difundido muito com o incremento do número de artigos, programas e workshops sobre educação de talentos. Mesmo assim ainda há muitas facetas do método que não estão bastante claros.Alfred Garson é editor do Canadian Music Educator e tem longa experiência no método.

1-   A questão mais óbvia para como começar essa discussão é, quem é Suzuki?

Dr. Schinichi Suzuki é o japonês criador desse método de sucesso conhecido como “Talent Education” ou Educação de Talentos, com o qual milhares de crianças japonesas aprenderam a tocar violino durante a pré-escola. Conhecido como Saino Kyoiku no Japão,vamos nos referir aqui a ele como Método Suzuki de Ensino.

2-   O Método Suzuki é usado somente para o ensino do violino?

Não. Ele é mais que isso. É uma forma de vida, um veículo para um novo conceito de educação, uma filosofia. Pablo Casals (famoso violoncelista espanhol) disse uma vez que, se todo país adotasse a filosofia Suzuki, não haveria mais guerras. Kenji Mochizuki foi o primeiro a introduzir o método nos USA. Para tornar a idéia mais clara eu vou citar parte da palestra dada por ele na Music Educators National Conference em Atlanta, New Jersey.

O novo movimento educacional no Japão, guiado por Suzuki, não é só educação musical, mas o início de uma nova e notável tendência em educação em geral. Eu gostaria de estender o Método Suzuki não só para educadores musicais, mas também para psicólogos educacionais e mais diretamente para jovens mães.O professor Clifford Cook do Oberlin College ficou muito impressionado com a filosofia atrás do método. Quando ele viu um filme das crianças de Suzuki, disse: “ninguém pode treinar um nº tão grande de crianças neste nível e da mesma maneira. Deve haver uma filosofia atrás desse movimento”. Essa reação é comum aqueles que ouvem crianças Suzuki pela primeira vez. O talento das crianças é encorajado com amor, paciência e cortesia, e de uma forma saudável como se tocar fosse uma função normal como comer ou dormir.

 3. O que é exatamente este Método?

Suzuki chama o seu método de “Método Idioma Materno”. Os psicólogos referem-se a ele como desenvolvimento psicolingüístico.A criança aprende a tocar violino da mesma forma que aprende a falar a língua materna.Em um artigo intitulado Toda criança pode ser educada, dr. Suzuki diz: Um dia ,30 anos atrás, eu fiz uma descoberta que me deixou atônito.Eu descobri, àquela época que, todas as crianças do mundo aprendem a falar sua língua nativa com fluência. Essa educação as habilita a desenvolver suas habilidades lingüísticas a um nível bem elevado. Essa descoberta me fez entender que qualquer criança estaria apta a desenvolver habilidades superiores se unicamente fossem usados os métodos corretos de treinamento e desenvolvimento. Então, o método que eu uso não é nada mais que o método de educação da linguagem nativa aplicado sem modificações essenciais para a linguagem musical. 

4. O Sr. Poderia nos descrever o método de aprendizagem da língua materna?

Vamos dar um exemplo de uma criança aprendendo a dizer a palavra mamãe, e então examinaremos o processo de aprendizagem das experiências subjetivas que a criança experimenta: 

1.    A mãe ensina a criança dando o exemplo

2.    A mãe repete a palavra muitas vezes em oportunidades diferentes

3.    A criança ouve a palavra

4.    A criança vê a mãe dizendo a palavra

5.    A criança , de forma natural, imita a mãe

6.    A criança desenvolve a habilidade física para repetir a palavra

7.    A criança tem a inteligência de repetir a palavra

8.    A criança irá eventualmente lembrar a palavra

9.    A criança entende o significado da palavra

10.A criança finalmente experimenta a compreensão emocional da palavra. Toda criança normal aprende a língua materna sem saber quão complicada ela é. Ou seja, é o método mais básico e natural de aprendizagem que o homem conhece. Os psicólogos não discordam disso, embora argumentem quanto à seqüência dos meus dez pontos, e sem dúvida, descrevem esse processo em termos diferentes.

5. Como o método Suzuki é utilizado para o ensino do violino?

Primeiro ponto: o ensino é a palavra-chave. Para estar apta a ensinar seu filho a mãe tem que aprender a tocar violino. No Japão, todas as mães recebem cerca de três meses de aulas de violino antes dos filhos começarem no instrumento.

Segundo ponto: a repetição é a palavra-chave. Repetições não parecem entediar as crianças (só os adultos ficam entediados); os adultos pensam erroneamente que as crianças também reagem assim e vão então para coisas diferentes. Essa é uma falácia de métodos ultrapassados e eu não penso assim sobre os métodos de ensino do violino. É interessante notar que, como resultado dessa insistência na perfeição logo no primeiro estágio, o progresso de uma criança treinada no método Suzuki segue o padrão de uma curva logarítmica quando colocada num gráfico. Numa criança treinada por métodos tradicionais este gráfico segue um padrão linear, fazendo um ângulo na horizontal. Essas duas linhas só se cruzam durante o 2º ano de aprendizagem.

Terceiro ponto: ouvir é a palavra-chave. Desde que a criança ouça o exemplo, ela estará apta para ouvir gravações de peças que ela está estudando; ouvindo exemplos perfeitos ela tende a imitá-los e assim acelera seu grau de aprendizagem.

Quarto ponto: ver é a palavra-chave. A mãe aprendeu a tocar violino e então a criança pode vê-la tocar. Naturalmente, é essencial que a mãe desenvolva hábitos perfeitos. Eu sempre acho que, se o aluno vem para a aula com um hábito ruim, ele certamente copiou da mãe. Dessa forma, eu imediatamente corrijo a mãe e na próxima aula o hábito ruim do aluno virá corrigido.

Quinto ponto: imitação é a palavra-chave. Não é necessário dizer mais a respeito.

Sexto ponto: habilidade física é a frase-chave. A capacidade física da criança para tocar o violino é sempre um problema porque, o instrumento é segurado numa posição anti-natural. Suzuki elaborou uma série de exercícios físicos preparatórios para desenvolver a coordenação física. Além de auxiliar a criança musicalmente, esses exercícios têm um valor terapêutico: Eu tinha uma criança que não conseguia tocar seu próprio nariz com a mão esquerda; depois de meses praticando esses exercícios sua coordenação desenvolveu-se a tal ponto que ela ficou apta a aprender o Perpetuum Móbile do 1º livro do Método Suzuki. Os exercícios físicos continuam depois que os alunos já estão tocando; eles são solicitados para tocar em várias posições, apoiados em uma ou outra perna, agachados ou caminhando; dessa forma elas se tornam fisicamente relaxadas. Através de movimentos físicos naturais, o violino vai se tornando um apêndice do corpo e não meramente uma extensão do braço direito.

Sétimo ponto: inteligência é a palavra-chave. Suzuki sempre enfatiza que a criança tem um grande potencial e inteligência, mais do que nós imaginamos. Elas talvez nem sempre estejam aptas para expressar-se corretamente. Trabalhando com crianças estrangeiras Suzuki mostrou que é possível se comunicar através de outras maneiras que não a linguagem verbal. No meu caso, o método Suzuki desenvolveu meu “instinto para ensinar” de tal forma que me tornei sensível ao que uma criança de 2 anos está pensando, sentindo, gostando ou não, e perceber também quando ficam física ou mentalmente cansadas, tudo sem que a criança diga uma palavra ou faça um sinal.

Oitavo ponto: lembrar é a palavra-chave. A memória é desenvolvida automaticamente. O ouvido da criança é desenvolvido junto com sua memória. Da mesma forma que a criança não aprende a ler ao mesmo tempo que aprende a falar a língua materna, os alunos de Suzuki não aprendem a ler música quando começam a aprender a tocar violino. Este fato exemplifica um aspecto importante de Suzuki: não adicionar problemas mas sim eliminá-los. A leitura virá mais tarde, usualmente depois que o estudante consegue maestria no Concerto para violino em lá menor de Vivaldi_ este padrão é alcançado aos 6 anos de idade se eles começarem a aprender com 2 ou 3 anos.

Nono ponto: a palavra-chave é entender. Significa que a criança aprende a associar a palavra com o objeto.

Décimo ponto: o emocional é a palavra-chave. Como adultos nós pensamos que uma experiência musical emocional deve acontecer só com “masterpieces”. Para músicos sofisticados e altamente treinados isso pode ser verdade, mas com a criança não é bem assim. Há o perigo de relacionar as peças do 1º livro de Suzuki com bagatelas musicais. A criança extrai emoção da experiência musical através da repetição, familiaridade e domínio. Com um Minueto de Bach do Livro 1 eu capacito a criança a tocá-la com os seus limites emocionais, pois a sua emoção se desenvolverá com a maturidade musical. Suzuki dá a mesma atenção e interesse tanto para pequenos alunos aprendendo um minueto de Bach quanto para alunos mais velhos aprendendo um concerto de Tchaikowsky. O método Suzuki seleciona o tipo de música a ensinar_ a música dos mestres que passou no teste do tempo.

6. Em que o Método Suzuki se diferencia de outros métodos?

 As respostas o diferenciam de outros métodos de violino quanto à posição de perna (colocar o peso sobre a perna esquerda e mover-se enquanto toca). Sobre a entonação também: as crianças aprendem desde cedo a tocar afinadamente porque Suzuki marca o lugar certo em que os dedos vão tocar com fita adesiva. Naturalmente, essas fitas vão ser removidas depois.A segurança dessa marcação faz com que a criança aprenda o som correto desde o início.

A outra grande diferença é que as crianças começam a aprender a tocar violino com 2 ou 3 anos de idade, enquanto nos outros métodos a idade é mais ou menos 6 ou 7 anos. Para isso ele precisa de instrumentos menores e, quanto a isso ele foi muito afortunado porque seu pai foi o primeiro fabricante de violinos do Japão. O aluno mais jovem de Suzuki tinha 19 meses e o mais velho 72 anos e ambos estavam aprendendo a 1ª peça do livro I. Dr. Suzuki disse que a menina estava fazendo mais progressos que o velho porque ele não estava praticando o bastante. Finalmente a última diferença é que os iniciantes aprendem de ouvido e em grupo, apesar de receberem aulas individuais.

 A razão pela qual alguns métodos não são efetivos é que eles foram imaginados para a mente do adulto. Eu nunca esqueci o dia que observei o Sr. Suzuki fazendo uma pausa antes de entrar sua classe de 3 a 6 anos; eu perguntei a ele porque hesitava ele me disse que não hesitava, que estava se preparando para as crianças, estava “descendo mentalmente ao seu nível de idade”. Alguns anos atrás Maria Montessori descobriu a importância dessa atitude mental.

São da autoria de Suzuki, sempre abordando a sistemática do seu método, os seguintes livros:

   _ The Suzuki Concept

  _ Ability Development from age Zero

  _  Nurtured by love

 Seleção do Texto: Profª ARMÉLIA S. SALLES

 

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